Como Identificar se o Sistema Está em Conformidade com a NBR 5419:2026
Os Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), popularmente conhecidos como para-raios, são essenciais para a segurança de pessoas, edificações e equipamentos nos condomínios. Entretanto, é comum encontrar instalações executadas de forma inadequada, sem manutenção periódica ou em desacordo com os requisitos estabelecidos pela norma técnica vigente.
Com a atualização da ABNT NBR 5419:2026, síndicos, administradoras e conselhos condominiais devem redobrar a atenção quanto à conformidade dos sistemas instalados, uma vez que falhas no SPDA podem resultar em danos materiais significativos, interrupções operacionais, incêndios, prejuízos financeiros e, em casos extremos, riscos à vida humana.
O que é o SPDA?
O Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas tem como finalidade interceptar, conduzir e dissipar de forma segura as descargas elétricas provenientes de raios, minimizando seus efeitos sobre a edificação e seus ocupantes.
Além da proteção estrutural, o sistema deve atuar em conjunto com medidas de proteção contra surtos elétricos, preservando equipamentos eletrônicos, sistemas de segurança, elevadores, portões automáticos e demais instalações do condomínio.
Como verificar se o SPDA está em conformidade?
A conformidade com a NBR 5419:2026 deve ser avaliada por profissional habilitado, mediante análise documental e inspeção física da instalação.
Entre os principais documentos que o condomínio deve possuir estão:
- Projeto executivo do SPDA;
- Memorial de cálculo e análise de risco;
- ART ou TRT de projeto e execução;
- Laudos de inspeção periódica;
- Relatórios de medições de aterramento;
- Registro das manutenções realizadas.
A ausência desses documentos já pode indicar irregularidades e dificuldades para comprovar a adequação do sistema perante seguradoras, perícias ou órgãos fiscalizadores.
Principais Erros Encontrados em Projetos de SPDA
1. Ausência de Análise de Risco
Um dos erros mais recorrentes é a inexistência da análise de risco prevista pela norma.
Muitos sistemas foram instalados apenas porque a edificação “precisava ter para-raios”, sem qualquer estudo técnico para determinar:
- Nível de proteção necessário;
- Áreas vulneráveis;
- Probabilidade de incidência de descargas;
- Necessidade de medidas complementares.
Sem essa análise, o sistema pode ser subdimensionado ou superdimensionado.
2. Projetos Desatualizados
Diversos condomínios ainda operam com projetos elaborados há décadas, sem revisão após:
- Ampliações da edificação;
- Instalação de placas solares;
- Construção de novas torres;
- Instalação de antenas e equipamentos na cobertura.
Qualquer alteração estrutural pode comprometer a zona de proteção originalmente prevista.
3. Falta de Integração com Sistemas Elétricos
O SPDA não deve ser tratado como um sistema isolado.
É comum encontrar projetos que ignoram:
- Equipotencialização;
- Sistemas de aterramento;
- Proteção contra surtos (DPS);
- Interligação com instalações elétricas.
Essa falha reduz significativamente a eficiência da proteção.
Principais Erros Encontrados na Instalação
1. Captores Mal Posicionados
Os captores são os elementos responsáveis por interceptar os raios.
Erros frequentes incluem:
- Quantidade insuficiente;
- Posicionamento inadequado;
- Falta de cobertura total da edificação;
- Instalação sem observância do método de proteção definido em projeto.
Nesses casos, partes da estrutura permanecem desprotegidas.
2. Condutores com Seção Inadequada
Outro problema recorrente é a utilização de materiais fora das especificações da norma.
São encontrados frequentemente:
- Cabos com bitola inferior à exigida;
- Materiais sem certificação;
- Emendas inadequadas;
- Condutores deteriorados pela corrosão.
Essas situações comprometem a condução segura da corrente do raio.
3. Aterramento Deficiente
O aterramento é um dos componentes mais importantes do SPDA.
Os principais erros observados são:
- Hastes corroídas;
- Conexões oxidadas;
- Resistência de aterramento acima dos valores recomendados;
- Falta de manutenção preventiva.
Quando o aterramento não funciona adequadamente, a energia da descarga pode buscar caminhos alternativos e causar danos à estrutura.
4. Ausência de Equipotencialização
A equipotencialização tem o objetivo de eliminar diferenças perigosas de potencial entre partes metálicas da edificação.
É comum encontrar:
- Tubulações metálicas não interligadas;
- Estruturas metálicas isoladas do sistema;
- Reservatórios sem conexão ao barramento principal.
Essa condição aumenta o risco de centelhamentos e danos aos equipamentos.
5. Instalação de Antenas e Equipamentos sem Adequação do SPDA
Com a crescente instalação de:
- Antenas de internet;
- Equipamentos de telecomunicação;
- Sistemas fotovoltaicos;
- Câmeras de segurança;
muitos condomínios acabam alterando a cobertura sem atualizar o sistema de proteção.
Esses equipamentos podem se tornar pontos vulneráveis à incidência de descargas atmosféricas.
Falhas de Manutenção
Mesmo sistemas corretamente instalados podem perder sua eficiência quando não recebem manutenção periódica.
Os erros mais comuns são:
- Inspeções não realizadas;
- Laudos vencidos;
- Componentes corroídos;
- Cabos rompidos;
- Conexões afrouxadas;
- Alterações na edificação sem revisão técnica.
A norma prevê inspeções periódicas e sempre que houver reformas ou eventos que possam afetar o sistema.
Responsabilidade do Síndico
O síndico possui o dever legal de zelar pela segurança da edificação e das áreas comuns.
A negligência na manutenção ou adequação do SPDA pode gerar:
- Responsabilidade civil;
- Responsabilidade administrativa;
- Questionamentos de seguradoras;
- Responsabilidade pessoal em casos de danos decorrentes de omissão.
Por esse motivo, a contratação de profissionais habilitados para inspeções e emissão de laudos é uma medida indispensável para a boa gestão condominial.
Conclusão
O SPDA não deve ser visto apenas como uma exigência técnica ou burocrática. Trata-se de um sistema fundamental para a preservação da vida, do patrimônio e da continuidade operacional do condomínio.
A atualização da NBR 5419:2026 reforça a necessidade de avaliações periódicas, projetos adequados, manutenção constante e integração entre proteção estrutural e sistemas elétricos.
Síndicos, conselhos e administradoras devem verificar se a documentação está atualizada, se as inspeções estão sendo realizadas regularmente e se o sistema acompanha as modificações realizadas na edificação. Afinal, quando se trata de proteção contra raios, a prevenção é sempre o melhor investimento.
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